Muitas vezes nos deixamos guiar pelos nossos impulsos, pela nossa hipocrisia, pela mentira, e queremos passar por cima da luz de Cristo que nos ilumina, e fechamos os olhos a ela, e assim começamos a caminhar na escuridão.
Em alguns momentos da nossa vida, quando nos fechamos à luz de Deus, dizemos: “Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca” (Lucas 15, 12). Esse sentimento de querermos decidir as coisas, as situações, com a nossa própria sabedoria, nos leva a este caminho de morte, de tristeza. No inicio, nos sentimos seguros por um breve momento, mas que depois se esvai ao espaço, se torna um sentimento qualquer, fraco e vazio na escuridão.
Mas, quando caímos, devemos ser fortes n’Aquele que nos fortalece, devemos ser humildes de coração e lançarmos nossos olhos ao céu.
Naquele momento de queda, o filho mais novo começa a refletir sobre o que havia feito de errado, e sobre a penúria que estava vivendo. “Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome” (Lucas 15, 17). Deus é assim, está no lugar certo, na hora certa.
Mas naquele momento de penúria, de arrependimento, Deus olha para ele e diz: “Levanta-te”.
Na hora, o filho deve ter ficado confuso, deve ter imaginado que a reação de seu pai ao ver sua volta seria de repugnacão, desprezo, ódio, até porque o filho tinha feito mal ao seu pai. Deve ter passado muitas coisas em sua cabeça, mas de uma coisa ele tinha certeza, a certeza de recomeçar.
Sempre podemos recomeçar, mesmo que tenhamos motivos para a condenação, para pensarmos ao contrário e que tudo esta perdido. Deus olha o nosso coração e vê que queremos uma nova chance para escrever uma nova história com Ele, uma oportunidade de recomeçar.
Imagino que chegando próximo à casa de seu pai, o coração do filho mais novo deve ter disparado, suas mãos devem ter começado a suar frio e a incerteza deve ter começado a martelar a sua cabeça. Estava esperando e imaginando a reação de seu pai ao reencontra-lo.
O pai ao vê-lo “movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou lhe ao pescoço e o beijou” (Lucas 15, 20). O filho deve ter estranhado a reação do pai, mas é ai que está à lógica de Deus; Ele continua nos amando mesmo quando nós não merecemos, e ainda nos dá um banquete, um banquete recheado de vida nova, de recomeço, de amor e de misericórdia.
Ser santo não é alguém bom, é alguém que experimenta a bondade de Deus. Ali, o filho começava a trilhar o caminho da santidade, pois ele estava experimentando muito intensamente a bondade do pai.
Esta é a misericórdia de Deus, de acolher as nossas fraquezas, as nossas misérias, as nossas falhas, e olha em nossas janelas da alma, e nos lança um olhar cheio de amor, profundos em compaixão e gentis em compreensão.
A partir daquele momento, daquele abraço de Pai, daquele beijo, o filho começou um novo caminho, uma nova vida, uma nova história, deixando de lado a sujeira que o acompanhava, seus erros, seus conceitos errôneos, e recomeçou com alegria a viver no amor em forma de misericórdia de Deus.
“Deus é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graça que fostes salvos!” (Efésios 2, 4-5).
Recomeçar é isso, é aceitar a misericórdia que irradia do coração de nosso Senhor Jesus Cristo.
“Se o pecado é o motivo de tua tristeza, deixa que a santidade seja o motivo de tua alegria”. (Santo Agostinho).








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